O pantaneiro não esperava um herói, aguardava políticas públicas sérias em defesa do homem pantaneiro e do pantanal. Por enquanto o que está recebendo é um verdadeiro CHAPOLIN: um tosco e tolo herói mexicano que não fala a língua do pantaneiro.

O relatório do Ministério Público (MP) sobre os efeitos da seca e dos incêndios florestais no Pantanal que causaram grande impacto socioambiental e econômico, em 2020, divulgado em no inicio deste mês de abril, configura um total desconhecimento da região ou má fé do corpo técnico que o elaborou. São conclusões desconexas com a realidade e o complexo ambiente do bioma, com objetivo claro de condenar previamente o homem pantaneiro e o setor produtivo.

Esta é a posição do Sindicato Rural de Corumbá (MS), que está sendo apoiado por todos os demais municípios através de seus sindicatos, pecuaristas, agricultores e também parte dos proprietários de hotéis e pousadas e ribeirinhos.

O programa em parceria entre os Ministérios Públicos Estaduais (MPE) de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, saiu à caça as bruxas e vêem nos produtores pantaneiros a forma de mostrar que estariam fazendo algo em defesa do pantanal. Com alegação de minimizar os efeitos das queimadas no Pantanal em 2021, os MPEs identificaram as áreas onde mais ocorreram focos de queimadas em 2020 e pretendem notificar produtores para que eles adotem medidas preventivas contra o fogo.

MPs – PROMOTORIA:

Segundo o promotor Luciano Loubet (Campo Grande-MS), que está à frente do Programa “Pantanal em Alerta”, os MPEs fizeram um levantamento que durou cerca de dois meses e, com base em imagens de satélite, identificaram os pontos onde o fogo foi iniciado.

“Tendo esses nossos escudos, vamos olhar melhor para os incêndios. Vimos que muitos focos começaram às margens de rios, em beiras de estradas, e 60% deles aconteceram dentro de uma atividade rural isolada. É muito improvável que algum produtor tenha feito isso intencionalmente, apenas para causar dano. O que queremos, portanto, é uma prevenção”, ponderou.

DESRESPEITO A SABEDORIA PANTANEIRA:

Um levantamento de dois meses, após as queimadas, é o norte para o Programa “Pantanal em Alerta”, defendido pelos MPEs de MT e MS, que se baseia no conhecimento técnico dos estudos de escritórios fechados. Os promotores e algumas autoridades não estão levando em consideração o conhecimento empírico e tácito do homem pantaneiro. Os saberes que o pantaneiro adquiriu ao longo da vida, pela experiência, pela sua existência no pantanal; seja o seu conhecimento empírico que está relacionado com o conhecimento popular, baseado na experiência cotidiana e nas observações sobre o dia a dia no pantanal, ou seu saber tácito, um verdadeiro “doutorado”, ao qual geralmente é difícil de ser formalizado ou explicado a outra pessoa, pois é subjetivo e inerente às habilidades do homem pantaneiro.

Quem conhece o pantanal é o pantaneiro, quem tem intimidade com o pantanal também é ele e a sabedoria popular regional o ensinou a aperfeiçoar a exploração e a vivencia nesse habitat.

REPLICA DOS PANTANEIROS:

Por sua vez o presidente do sindicato rural de Corumbá-MS, Luciano Aguilar Leite, declarou que, “esse movimento difamatório contrapõe a imagem que se tem mundialmente do Pantanal de um ecossistema único e preservado, lugar de uma natureza intocada e incomparável. Se o Pantanal é uma maravilha, ocorreu por acaso? Se está conservado, foi conservado por nós, pantaneiros. Por uma comunidade que está ali há mais de 200 anos e provou ser conservacionista”, desabafou.

CRIME CONTRA O PANTANEIRO:

O relatório, produzido pela equipe de geoprocessamento do MP e pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, omite os grandes incêndios florestais que se iniciaram nas unidades de conservação existentes no bioma, como o Parque Nacional e o Sesc Pantanal, ambos em Poconé (MT), e nas reservas, as RPPNs, ao longo da Serra do Amolar. Cita que o fogo se iniciou apenas em uma área: o Parque Estadual do Pantanal do Rio Negro, em Aquidauana.

Para os pantaneiros, o programa lançado pelo Ministério Público, “Pantanal em Alerta (?)”, que tem a pretensão de impor e estabelecer condutas aos proprietários rurais na prevenção ao fogo, terá como único resultado criar um clima de terror, de intimidação ao produtores; transferir obrigações e promover a criação de  um cenário para outros grandes incêndios. “É inviável responsabilizar o produtor, não temos estrutura, nem recursos”, rebate Luciano Leite.

Segundo a Embrapa Pantanal, tal situação (fogo descontrolado) pode ser minimizada com a presença do boi no pasto – daí a expressão “boi bombeiro” -, cuja função de pastejamento reduz a concentração de material orgânico, comprovada e reconhecida pelo órgão federal. “O boi é elemento fundamental do equilíbrio nos locais de pastagens nativas e de cerrados, a falta do bovino aumenta a probabilidade de incêndios e acarreta grandes prejuízos”, citam os pesquisadores Urbano Gomes Pinto, José Anibal Comastri e Balbina Soriano.

As notas técnicas da Embrapa Pantanal vêm ao encontro da triste realidade vivenciada no ano passado, quando mais de 4 milhões de hectares do ecossistema foram destruídos, segundo informações oficiais.

Walney Rosa

Idealizador e Fundador em 21 de janeiro de 2011 da Academia Lítero-Cultural Pantaneira, que compõe escritores, poetas, músicos e defensores da cultura pantaneira (com sede em Poconé) Antes disso em...

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