Embarcações que antes percorriam o Rio Paraguai, na região de Cáceres, a 220 km de Cuiabá, agora estão parados no seco devido a região registrar a maior baixa no nível de água desde 1965.

Por conta da forte estiagem que afeta o município, a prefeita Antônia Eliene Liberato Dias decretou estado de calamidade. Não chove há 150 dias no município e os focos de incêndios aumentam a cada dia na vegetação seca. Por conta do cenário, a gestora também decretou racionamento de água, afirma reportagem assinada por Jéssica Bachega para o jornal a Gazeta.

Consta no decreto Nª 715, de 24 de agosto de 2021, que ainda será publicado, que está vetado o uso de água fornecida pela rede pública para encher piscinas, lavagem de muros, calçadas, fachadas, veículos e uso se lava jatos domésticos até que se normalize o abastecimento de água.

Com a baixa do Rio Paraguai, os moradores já sofrem sem água potável nas torneiras. Segundo explica a prefeita, por ser fraca e pouca a água da rede de distribuição não sobe nos reservatórios das residências.

“Nós estamos sofrendo as consequências da baixa do rio, da seca. Temos 12 bairros que sofrem com a captação de água e 7 que estão em racionamento. Isso é muito difícil. Nesse período pandêmico precisamos muito dos recursos hídricos. Nos preocupa muito e deixa em alerta, pedindo muito a Deus pela chuva”, explica a prefeita.

Ela afirma que ainda há muitas ruas na cidade que não têm pavimentação. A seca com a poeira é um risco à saúde da comunidade. Também é grande perigo para os animais.

Também está previsto no decreto autorização de fornecimento de água a famílias em situação de vulnerabilidade por meios administrativos, como caminhões pipa. O documento também permite a desapropriação de propriedades localizadas em áreas de risco. Também fica dispensada a licitação para compra de equipamentos e demais despesas para atividades de resposta a desastres como os incêndios.

O segundo decreto trata da situação de emergência quanto aos incêndios.

“Fica declarada situação de emergência em virtude de desastres classificados como Incêndios em áreas não protegidas, com reflexos na qualidade do ar no Município de Cáceres/MT”, diz trecho do decreto Nº 710, de 23 de agosto de 2021, que foi publicado no Diário Oficial dos Municípios de quarta-feira (25).

Conforme o documento, o município não tem estrutura para combater sozinho os incêndios, necessitando de aporte e socorro de outras municípios e estados para conter e extinguir o fogo.

“Que a região pantaneira possui dois períodos bem definidos, sendo estes o período chuvoso e o período de seca, no qual tem perdido suas características, tornando o período seco ainda mais severo”, consta no documento.

A prefeita ainda cita que Cáceres tem registrado uma das maiores temperaturas do país nas últimas semanas. Essa semana, o Corpo de Bombeiros atua no combate a incêndio na Baía dos Pombos, no Rio Paraguai. O fogo começou na segunda-feira (23) e assustou moradores por conta do rápido avanço por outras áreas do rio.

Considerando o risco atual para o meio ambiente e também aos moradores, por conta da baixa qualidade. “Autoriza-se a mobilização de todos os órgãos municipais para atuarem sob a coordenação da Coordenadoria Municipal de Proteção e Defesa Civil nas ações de resposta a esse evento adverso”, consta no decreto.

Ambos documentos não tem data determinada, eles vigoram até que os incêndios florestais sejam controlados e o abastecimento de água restabelecidos.

Walney Rosa

Idealizador e Fundador em 21 de janeiro de 2011 da Academia Lítero-Cultural Pantaneira, que compõe escritores, poetas, músicos e defensores da cultura pantaneira (com sede em Poconé) Antes disso em...

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