Segundo dados do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), conhecido também como Agência da ONU para Refugiados, a quantidade de refugiados no mundo passa dos 65 milhões. No Brasil, de acordo com censo feito pelo Comitê Nacional para os Refugiados (CONARE) na 6ª edição do relatório “Refúgio em Números”, ao final de 2020 havia 57.099 pessoas refugiadas reconhecidas pelo Brasil.

A população de refugiados no Brasil é composta, em sua maioria, por tanto os homens (50,3%) como as mulheres (44,3%) reconhecidos como refugiados encontravam-se, predominantemente, na faixa de 25 a 39 anos de idade. A pesquisa ainda investigou a colocação dessas pessoas no mercado de trabalho brasileiro, concluindo que um total de 15% delas são indivíduos em idade economicamente ativa e estiveram em busca de trabalho nos últimos anos.

Desse total, apenas 20% conseguiram se estabelecer no mercado de trabalho meses após chegar ao Brasil, enquanto outros 40% seguiram procurando emprego. Os setores que mais empregaram refugiados no último ano, segundo a pesquisa, foram salões de beleza, atacadistas e empresas multinacionais.

Erica Miguelia, criadora do Instituto Em Conecta, organização que atende e possibilita a capacitação de refugiados em situação de vulnerabilidade na cidade de São Paulo, através de cursos profissionalizantes da área da beleza integrada a saúde, explica que “o baixo percentual de refugiados inseridos no mercado de trabalho se dá pela quebra do processo educacional e a preconceito estabelecido perante refugiados e imigrantes”. Ela ainda comenta que os vários projetos de apoio a essa população procuram mudar esses números através da integração.

Um estudo feito com imigrantes e refugiados no Brasil em 2020 investigou as principais dificuldades enfrentadas por pessoas em deslocamento resultado de crises humanitárias e econômicas. A maioria, 86%, apontou a recolocação no mercado de trabalho como uma dificuldade, sendo que 64% tinha formação em nível superior e outros 77%, formação completa em nível fundamental e médio.

Segundo a Associação ACNUR existem, hoje, 30 instituições, entre ONGs e institutos, que trabalham com projetos de apoio e incentivo para a inserção de refugiados no mercado de trabalho, considerando as dificuldades evidenciadas nas pesquisas e os baixos números de empregabilidade. Erica Miguelia explica que “tais projetos precisam levar em conta que são pessoas que tiveram que largar seus lares forçadamente em busca de algo melhor e que as empresas não estão preparadas para quebrar esse pré-julgamento”.

A Associação ressalta ainda que com os acontecimentos recentes marcados pela guerra na Ucrânia é possível que os países da América recebam 2,3 milhões novos refugiados até o fim da semana. Miguelia comenta que os países precisam estar preparados para receber e proporcionar uma vida digna, com respeito para essas pessoas. 

Para mais informações sobre o assunto, basta acessar a página https://www.instagram.com/institutoemconecta/