O Brasil perdeu mais de 4,6 milhões de leitores em apenas quatro anos. A informação é da 5ª edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, realizada pelo Instituto Pró Livro em parceria com o Itaú Cultural, e compreende o período entre 2015 e 2019, quando a porcentagem de leitores brasileiros caiu de 56% para 52%.

Ainda segundo a análise, os chamados “não leitores” – pessoas com mais de cinco anos de idade que não leram nenhum livro nos três últimos meses do fechamento do balanço -, representam 48% da população, o equivalente a cerca de 93 milhões de um total de 193 milhões de brasileiros, conforme dados divulgados pela Agência Brasil.

Neste cenário, ganham destaque iniciativas como o programa “Amanhã Gente Grande”, projeto sem fins lucrativos desenvolvido pelo Insec (Instituto Nove de Setembro de Educação e Cultura). A ação já produziu seis livros, dos quais 1100 unidades foram doadas a bibliotecas municipais e estaduais do estado de São Paulo, além de dois CDs.

Segundo a organização, o projeto já realizou mais de sessenta apresentações em vários centros de cultura das principais livrarias e bibliotecas infantis da capital paulista. Entre as atividades, houve contações de histórias, peças de teatros e apresentações musicais com a banda do programa.

Projeto é inspirado na pedagogia logosófica 

Ronny Janovitz, empresário e voluntário do projeto “Amanhã Gente Grande”, explica que o Insec é fruto de uma iniciativa de pais, educadores e profissionais de diversas áreas.

“O projeto busca oferecer recursos para pais e educadores estimularem o gosto pela leitura e educarem os filhos com base nos princípios da pedagogia logosófica, ciência criada pelo educador e humanista González Pecotche que defende uma pedagogia que propõe ‘educar para a vida consciente’”, explica.

Segundo Janovitz, a ideia é promover uma formação integral para que a criança identifique seus sentimentos e pensamentos e possa melhorar a si mesma. ”Nossos livros, peças e músicas falam sobre a busca interior de maneira acessível para os pequenos”, pontua. ”Além do mais, toda venda do material do projeto é revertida para a concretização de novas iniciativas culturais e educacionais”.

Em 2016, o livro “Construindo Castelos”, uma das publicações do programa, participou da 24ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo. Em 2020, o projeto marcou presença na 1ª Bienal Virtual do livro, também na capital paulista, entre os dias 7 e 13 de dezembro, com estande virtual e apresentação inédita no Salão de Ideias.

Programa apostou no Digital durante a pandemia

Segundo o empresário e voluntário, em obediência aos protocolos sanitários para conter a pandemia de Covid-19, o “Amanhã Gente Grande” adotou o isolamento social em março de 2020, quando as atividades presenciais foram suspensas e os esforços foram concentrados no ambiente virtual.

“Como resultado, alcançamos 387 mil usuários no Facebook e 60 mil no Instagram, onde captamos 2500 mil seguidores e uma audiência de 34 mil pessoas com os vídeos no IGTV”, conta. “Em 2021, atingimos 19000 pessoas, com 5400 engajamentos, o que inclui reações, comentários, compartilhamentos e cliques nas publicações”, demonstra.

Entre os planos para o futuro, segundo Janovitz, estão o lançamento de livros infantis e a publicação de novos conteúdos nas redes sociais. O projeto ainda contempla o retorno às atividades presenciais com o lançamento da obra “A preguiça não mora mais aqui”.

“Esperamos produzir ainda mais e levar alegria a crianças e adultos, com livros e atividades que façam pensar, ouvir o coração e cultivar valores e sentimentos que dignificam o ser humano, criando oportunidades para que o estímulo para o estudo e para a leitura de forma consciente seja ensinado desde cedo”, conclui.

Para mais informações, basta acessar: http://www.amanhagentegrande.com.br