O azeite de oliva é um ingrediente tão presente na mesa dos brasileiros, compondo os mais diversos pratos e servindo de tempero para saladas, que, muitas vezes, as pessoas estranham o fato de que a grande maioria do produto consumido no país é importado. 

Sim, o azeite de oliva, também chamado de “azeite doce” no Nordeste, de acordo com estudo do IPE (Instituto de Pesquisas & Estratégia), é consumido por 76% da população, mas apenas 32% sabe que o país é um dos grandes consumidores e importadores do produto. Para se ter uma ideia, o Brasil é o segundo maior importador de azeite de oliva, atrás apenas dos Estados Unidos – em 2021, o país importou 107 milhões de litros.

Aos poucos, porém, o Brasil também vai avançando na produção de azeite de oliva. De acordo com o Ibraoliva (Instituto Brasileiro de Olivicultura), a safra brasileira de 2022 foi de 202 mil litros industrializados, número que já foi superado com folga apenas no estado do Rio Grande do Sul, cuja produção em 2022, em maio, já alcança a marca de 448.580 litros industrializados. Com efeito, o estado da Região Sul é o principal produtor do país, com quase 7 mil hectares plantados, concentrando por volta de 75% da produção nacional de azeites de oliva extravirgem.

Para especialistas ouvidos em reportagem da Folha de S.Paulo, o fato de o último inverno ter sido mais seco, com dias quentes e noites bem frias, fez com que as azeitonas chegassem ao ponto certo de maturação mais perto do fim do verão, possibilitando que boa parte da colheita fosse realizada fora da época das chuvas. 

Além disso, olivicultores das duas principais regiões produtoras do país, Rio Grande do Sul e Serra da Mantiqueira, após uma década de produção, já podem lidar com oliveiras mais desenvolvidas, que produzem mais frutos por pé.

Nesse sentido, a quantidade de marcas tem crescido ano a ano: segundo a mais recente edição do livro “Extrafresco – o guia de azeites do Brasil”, de Sandro Marques, há 120 marcas brasileiras no mercado em 2022, 20% a mais do que em 2021.

Para Livia Pirozzi, especialista em azeite de oliva e sócia proprietária da delicatessen Delly Gil, o Brasil ainda não poderá fazer frente a países como Portugal no que tange à quantidade de azeite de oliva produzido. Já a qualidade, porém, avalia ela, é cada vez melhor. 

“A qualidade do azeite brasileiro é muito apreciada. Cada ano que passa melhoramos e isso se deve ao amadurecimento das oliveiras, agora já em seu período auge de produção alta”, diz. “Até mesmo o turismo nas áreas de produção está em alta”. De fato, já há no Brasil o chamado “olivoturismo”, como, por exemplo, o proporcionado pela fazenda Irarema, de Minas Gerais, que promove visitas guiadas com degustação de hora em hora e dispõe de restaurante.  

“O azeite de oliva sempre foi um produto tradicional na mesa da família brasileira, porém os olhos e cuidados estão cada dia mais voltados para ele, agora”, afirma a Pirozzi. “Por muitos anos, os brasileiros fizeram uso do azeite, porém sem o devido cuidado na hora da escolha, pois achava-se que o azeite é um único tipo, sem considerar as variações inúmeras de azeitonas e blends possíveis de cada região e ‘terroir’ diferentes, como já se tem definido no mundo do vinho”.

A especialista em azeite de oliva acrescenta que, “com a maior divulgação e prêmios internacionais, o azeite de oliva brasileiro vem ganhando respeito”. De acordo com a já citada reportagem da Folha de S.Paulo, os rótulos nacionais têm sido laureados em relevantes competições internacionais, como a EVO International Olive Oil Contest, na Itália, a NYIOOC World Olive Oil Competition, nos Estados Unidos, e a Terraolivo, em Israel.

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