Em um cenário de retomada econômica, a contratação de brasileiros por empresas estrangeiras avançou 20% entre 2020 e 2021, segundo informações da Page Group, negócio de recrutamento do Reino Unido. De forma síncrona, um estudo da corretora B&T divulgado pela Forbes aponta que o número de brasileiros que trabalham com tecnologia para empresas do exterior aumentou 72% de 2020 para 2021.

Paralelamente, dados do Ministério das Relações Exteriores indicam que o número de brasileiros vivendo em outros países passou de 1.898.762 em 2012 para 4.215.800 em 2020, conforme indicativos consolidados a partir de informações coletadas pelos consulados – uma alta de 122%. 

Para Lilian Ferro, CEO da Simonato Cidadania, consultoria para o reconhecimento de cidadania italiana, os números demonstram um movimento de profissionais brasileiros em direção ao exterior. “O fenômeno ocorre porque, muitas vezes, o mercado de tecnologia na Europa procura estrangeiros pela falta de profissionais europeus”, explica.

A especialista destaca que o Brasil é um país que possui muitos profissionais qualificados na área de TI (Tecnologia da Informação) e na área de tecnologia em si, o que aumenta as possibilidades de atuação em um mercado em efervescência, como é o caso do setor tecnológico na Europa.

“A demanda de brasileiros por trabalho na Europa é bem expressiva, com um grande número de empresas de inovação tecnológica e digital, com centros e polos de tecnologia que recebem profissionais do mundo inteiro. Na Itália, especificamente, os principais polos tecnológicos estão na região norte”, detalha. Lilian complementa, “o profissional que possui a cidadania italiana consegue ter a liberdade de trocar de emprego quantas vezes quiser, uma vez que seu visto não é amarrado a uma empresa específica, tendo flexibilidade através do reconhecimento da cidadania italiana”,

Segundo o site Conexão Europa, Veneza, capital da região de Vêneto, está entre os centros com maior oferta de oportunidades na área da tecnologia. Apenas o Vega Venice Gateway for Science and Technology reúne duzentas empresas de setores de inovação tecnológica: Nanotecnologias, Tecnologia da Informação e Comunicação e Economia Verde.

De acordo com o site, centenas de profissionais são recrutados por empresas nacionais de tecnologia e multinacionais, como a Maersk. Neste ponto, Ferro afirma que é importante salientar que os contratos de trabalho na Europa não são longos, mas que, com a cidadania europeia, esses contratos podem ser celebrados por um período indeterminado.

Cidadania italiana é porta de entrada para brasileiros na Europa

A CEO da Simonato Cidadania chama a atenção para o fato de que, se o profissional não for um cidadão europeu, vai precisar de um visto de trabalho e, geralmente, o contrato é com prazo de validade estipulado.

“Se o profissional for um cidadão europeu, por outro lado, tem a facilidade e o direito de permanecer em território europeu, e isso é um fator motivacional para que os descendentes de italiano tirem a sua cidadania, focando em trabalhar fora”, diz ela.

Segundo projeções, mais de 30 milhões de ítalo-descendentes vivem no Brasil, o maior número de descendentes de italianos fora de seu país de origem. De acordo com o Eurostat, gabinete de estatísticas da UE (União Europeia), 729 mil pessoas obtiveram a cidadania em um Estado-membro da UE em 2020, sendo 24 mil brasileiros. Destes, 19,6% deram entrada na cidadania italiana.

Para mais informações, basta acessar: https://www.simonatocidadania.com.br/