Pesquisa realizada pelo InfoJobs, plataforma de empregos, apontou que 61% dos profissionais de Recursos Humanos (RH) usam dados para as tomadas de decisão da área. Além disso, quase metade desses profissionais conta com tecnologias para que essa tarefa seja feita, e uma boa parte ainda usa formas manuais, como planilhas, por exemplo.

O estudo foi realizado em maio de 2021 e contou com a participação de 520 profissionais do setor – 95,5% deles disseram que a análise de dados é importante ou muito importante para que processos e experiências sejam melhoradas, podendo unir processos seletivos e aqueles que têm ligação com a experiência do colaborador (como os benefícios flexíveis, por exemplo).

“Se você não consegue medir algo, não consegue melhorar. Vemos uma evolução deste departamento conforme vemos muitos começarem a medir seus resultados”, apontou Ana Paula Prado, country manager do InfoJobs. Prado disse que essa tendência pede mudanças no perfil dos profissionais de RH. “Eles têm de ver a tecnologia como algo que veio para ajudar”, complementa.

A pesquisa também deu luz a algumas barreiras para que a análise de dados seja implementada na área. Entre elas, 31,6% dos participantes apontaram a descentralização de informações; 25,5%, a falta de informações a respeito do assunto; e 23,7%, a falta de tempo. Além disso, 54,4% alegaram usar planilhas para as análises serem feitas.

De acordo com Prado, a utilização de dados no RH traz efeitos para os candidatos às vagas de emprego, apontando, ainda, que os processos seletivos possuem mais etapas. Existem alguns testes, por exemplo, que investigam se o profissional está alinhado à cultura da empresa. Porém, o resultado é uma seleção mais específica. “O candidato só vai preencher as etapas se realmente tiver o perfil daquela empresa. Sem a tecnologia, ele teria de passar por todas”, apontou ela.

Transformação do RH

Segundo pesquisa realizada pela consultoria KPMG, a transformação na área de RH já estava no radar dos profissionais, mas foi ainda mais acelerada pela pandemia de Covid-19. Segundo o levantamento – que contou com 1.288 profissionais em 59 países -, 69% creem que a área precisa se reinventar de forma completa para enfrentar os desafios futuros.

A necessidade tem relação com a pandemia de Covid-19 e as mudanças acarretadas às empresas, como o trabalho remoto e o desenvolvimento de novas habilidades por parte dos colaboradores. Assim, 72% dos respondentes apontam que requalificar colaboradores é um dos motivos essenciais para criar força de trabalho no futuro.

“A área de RH deve parar de apagar incêndios decorrentes dos impactos da pandemia e começar a executar ações de longo prazo com o objetivo de empoderar a força de trabalho. A pandemia é uma oportunidade para que tanto as áreas de RH quanto as empresas se transformem para melhor, e essa nova realidade tem que ser enfrentada”, apontou a líder de people consulting da KPMG no Brasil, Camilla Padua.