Nos últimos anos, cada vez mais brasileiros estão investindo no mercado financeiro. Se até 2018 o número de pessoas que aplicavam parte de seu capital na Bolsa de Valores não passava de 500 mil, hoje já são mais de 4,2 milhões de CPFs únicos que apostam nessa modalidade, de acordo com o relatório “Uma Análise da Evolução dos Investidores”, elaborado pela B3 com dados relativos a dezembro de 2021. E o baixo nível de educação financeira no país, aliado à maior aversão a riscos em função da pandemia, tem levado muitos desses investidores a recorrer a gestoras, cujo número de cotistas de Fundos 555, que buscam retorno no longo prazo por meio de investimento em diversas classes de ativos, cresceu 30,07% no ano passado, de acordo com a base de informações disponibilizada na CVM (Comissão de Valores Mobiliários).

À medida em que cresceu o interesse pela renda variável, aumentou também a percepção do brasileiro sobre a necessidade de se capacitar para operar em uma modalidade de investimento que envolve riscos. De acordo com uma pesquisa realizada no início de 2021 pelo instituto Locomotiva, 63% dos entrevistados admitiram ter apenas conhecimento básico sobre o tema, enquanto 90% dos participantes sentem necessidade de maior educação financeira.

Ao mesmo tempo, um estudo também do ano passado conduzido pela EY (Ernst & Young Global Limited) junto 2.500 clientes de 21 países aponta que toda a instabilidade trazida pela pandemia deixou 57% dos brasileiros mais avessos a correr riscos. Nesse sentido, uma das opções para quem ainda não se sente plenamente capacitado ou não dispõe de tempo livre para operar e gerenciar sozinho seu patrimônio é contar com o suporte de profissionais especializados.

Para isso, o investidor conta com duas opções principais: recorrer à figura do assessor de investimento de uma corretora, que irá oferecer ativos a partir dos produtos financeiros disponíveis na instituição, ou delegar essa tarefa para uma gestora, que realiza a tomada de decisões pelo cliente, tornando o serviço quase automatizado.

“Na corretora, mesmo com o apoio do assessor, a pessoa ainda tem o trabalho de fazer ou autorizar cada movimentação e acompanhar os resultados. Já a gestora conta com uma equipe especializada, que reúne anos de experiência e conhecimento e se dedica exclusivamente a essa atividade durante todo o dia”, compara Arthur Wanderley, gerente de operações da PetraGold Investimentos.

Em ambos os casos, o suporte oferecido tanto pelas corretoras quanto pelas gestoras acaba sendo fundamental para que investidores ainda pouco qualificados não “fiquem no escuro”, expondo o seu capital a riscos elevados, nem cometam erros que resultem em perdas significativas do patrimônio, o que vai de encontro a outro dado trazido pela pesquisa da EY, que aponta que 67% dos entrevistados preferem focar em proteger o patrimônio e garantir estabilidade financeira em vez de expandir lucros.

“Na prática, a pessoa acaba abrindo mão de parte do seu lucro para, em troca, obter segurança. Os assessores recebem um valor da Corretora, após a efetivação da aplicação, por cada investimento que indicam, independentemente de ela dar retorno positivo para o cliente. Já as gestoras trabalham de forma diferente. Uma parte da remuneração corresponde à taxa de administração, que é um pagamento pelo serviço de acompanhamento da carteira.  E a outra parte é calculada sobre o resultado da carteira. Caso o lucro fique acima de um percentual estabelecido em contrato, parte disso fica com a gestora. Ou seja, ela ganha conforme o investidor ganha”, resume.

Logo, a melhor opção para investir depende do perfil do consumidor e do seu desejo de tomar as decisões por conta própria ou de delegá-las para uma instituição especializada. Além disso, deve-se considerar os custos e a forma com que cada instituição remunera seus funcionários para encontrar a melhor opção para cada caso.

“É preciso ressaltar que, em ambas as situações, você precisará confiar em profissionais terceirizados. Portanto, independentemente da sua escolha, opte por empresas que tenham experiência e credibilidade no mercado”, finaliza Arthur.