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Responsável por 49% dos casos de cegueira reversível no Brasil, a catarata tem tratamento cirúrgico de alta tecnologia que pode também corrigir outros problemas de visão como presbiopia, miopia e hipermetropia.

A chegada do verão é um alerta para os cuidados com a saúde ocular, pois os raios ultravioleta (UV) colaboram para o surgimento de doenças oculares degenerativas como o pterígio (crescimento de um tecido em direção à córnea), a Degeneração Macular, que pode levar à cegueira, e o aparecimento precoce da catarata, caracterizada pela perda progressiva da visão.  

Segundo o Instituto Penido Burnier, as doenças oculares de origem externa ou infecciosa, como conjuntivites, alergias e ceratites (inflamação da córnea) aumentam cerca de 20% na estação.  

Entre as causas está a exposição dos olhos sem proteção adequada aos raios UV, de acordo com a Sociedade Brasileira de Oftalmologia (SBO).

No caso da catarata, principal causa de cegueira reversível do mundo segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), e responsável por 49% dos casos reversíveis de cegueira no Brasil de acordo com o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), tecnologias avançadas têm feito com que o tratamento, estritamente cirúrgico, seja mais confortável e eficiente não só para a cura da catarata, mas também para resolver outros problemas de visão.

É o que explica nesta entrevista o oftalmologista Eduardo Adan, doutor em medicina pela Universidade Federal de Minas Gerais e especialista em Catarata, Córnea e Cirurgia Refrativa.

O que é a catarata e como identificar essa condição?

Eduardo Adan – É um processo degenerativo do cristalino, lente natural transparente que temos no interior do olho. Com o tempo, ou por algumas doenças, essa lente começa a ficar turva, prejudicando a visão e podendo levar à cegueira. A partir dessa perda de qualidade de visão a pessoa pode começar a pensar na cirurgia.

E como prevenir e tratar?

E. A. – A primeira coisa é fazer exames oftalmológicos uma vez por ano, principalmente após os 40 anos. Não só a catarata, mas outras doenças oculares podem ser detectadas precocemente com o exame periódico. Quando a pessoa começa a perceber baixa visão, em qualidade ou quantidade, pode ser um sintoma da catarata. Aí, o médico pede exames que ajudam a diagnosticar a situação.

É possível ter catarata e achar que é vista cansada?  

E. A. – Sim. A catarata é imprevisível. Há pacientes que têm uma catarata pequena, sem perda de visão, por anos. De repente, em um ou dois meses a visão piora bruscamente.

A catarata é um processo natural decorrente do envelhecimento?

E. A. – Sim, na maioria dos casos. Há a congênita, por exemplo, em que crianças que nascem com catarata, e também doenças, como diabetes, que podem acelerar o aparecimento. Também se sabe que os raios UV envelhecem o cristalino. Então, há uma teoria de que a diminuição da camada de ozônio, que serve de proteção aos raios UV, expõe mais as pessoas a eles, acelerando o aparecimento da catarata.

Ela pode aparecer a partir dos 50 anos?

E. A. – Sim. A catarata vem surgindo nas camadas mais jovens da população. Há 30, 40 anos, ela era mais comum em pacientes com 70, 80 anos, mas hoje, pacientes mais jovens precisam da cirurgia.

E como é a cirurgia? 

E. A. – Resumidamente, substitui-se o cristalino opaco por uma lente intraocular, artificial, totalmente transparente.

Dura de oito a 20 minutos. Não sangra, não dói, não exige anestesia geral, apenas o uso de colírio anestésico e, dependendo do nível de ansiedade do paciente, um sedativo. É feita uma incisão microscópica de cerca de 2 milímetros de largura através da qual é inserida uma caneta ligada a um aparelho chamado facoemulsificador, que tritura e aspira a catarata.

Finalizada essa etapa, é feita uma limpeza do conteúdo do cristalino, mantendo-se seu invólucro (cápsula), que serve de suporte para a introdução da lente intraocular que, dependendo da tecnologia ou tipo, permite ao paciente não só a cura da catarata, mas a correção de outros problemas oculares, como presbiopia (vista cansada), miopia, hipermetropia e astigmatismo.

Então é verdade que em alguns casos a cirurgia de catarata ajuda o paciente a se livrar dos óculos?

E. A. – Dependendo do grau, do modelo da lente intraocular e da anatomia do olho, a pessoa pode, além de ficar livre da catarata, praticamente não usar mais óculos, pois a lente irá corrigir problemas como vista cansada, miopia, hipermetropia. Mas isso depende das condições daquele olho. É sempre necessário fazer uma avaliação detalhada, com exames minuciosos, para poder escolher, junto com o paciente, a melhor opção.

A cirurgia é feita no consultório ou em hospital? O paciente volta para casa no mesmo dia?

E. A. – Os oftalmologistas costumam fugir de hospital para fazer cirurgia. Porque há infecção hospitalar, além de a estrutura ser mais engessada, já que em geral são instituições que cuidam de várias doenças. E a catarata não é uma condição de doença de risco de vida, pode-se dizer assim. Por isso, a maioria das cirurgias de catarata hoje é feita em clínicas bem equipadas e o paciente volta para casa no mesmo dia, sem internação.

Qual o intervalo ideal entre a cirurgia de um olho e do outro?

E. A. – Em alguns países existe a prática de se fazer a cirurgia simultaneamente nos dois olhos. No Brasil é comum dar um intervalo, que depende das condições anatômicas de cada olho. O período de uma a quatro semanas é razoável. Quando se faz uma cirurgia dessas, há uma série de restrições temporárias. Então, se o segundo procedimento demora, quando o paciente sai do resguardo de uma cirurgia, entra no da outra. No consultório, o costume é acompanhar o primeiro pós-operatório para agendar o mais rápido possível o segundo.

Qual o tempo de recuperação?

E. A. – Depende. Uma cirurgia comum dura de 10 a 15 minutos, depois o paciente fica em repouso de 30 a 60 minutos, até se recuperar da sedação, e vai para casa. No dia pede-se para não fazer nenhum tipo de esforço visual. No dia seguinte ele retorna à clínica para o pós-operatório. É feito o acompanhamento da recuperação e dependendo da lente implantada, ele vai enxergar no dia seguinte ou até no mesmo dia. Algumas restrições temporárias vão de uma a quatro semanas. No consultório, é realizada a avaliação global do paciente, considerando-se os dois olhos, após 40 dias.

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