‘Caçador de Marajás’: preso por corrupção em 2025, Collor foi eleito em 1989 com discurso contra funcionários públicos corruptos


Ex-presidente preso por corrupção passiva e lavagem de dinheiro emplacou uma campanha contra salários desproporcionais de funcionários públicos nos anos 80, os quais apelidou de “marajás” Ao lado da primeira-dama, Rosane, o presidente eleito do Brasil, Fernando Collor de Mello acena para a multidão após ser empossado em Brasília, em 15 de março de 1990
PROTÁSIO NENE/AE
Na década de 1980, Fernando Afonso Collor de Mello ficou conhecido como o “caçador de marajás”. O ex-presidente preso na madrugada desta sexta (25) ganhou notoriedade e projeção nacional enquanto governador do Alagoas, em 1987, ao emplacar uma campanha contra salários desproporcionais de funcionários públicos, os quais apelidou de “marajás” (título dado a príncipes indianos).
“Será que é justo um apadrinhado dos poderosos ganhar até 50 salários para ficar sentado em seu trono de marajá”, declarava o então candidato à presidência pelo PRN, em campanha eleitoral de 1989. “E você, que dá duro 8 horas por dia, ganhar um salário que não dá para sequer pagar a mensalidade escolar dos seus filhos?”
Com 35 milhões de votos, Collor foi eleito presidente no mesmo ano do discurso contra os salários dos servidores públicos, na primeira eleição direta após a ditadura militar. Em 1992, deixou a Presidência após sofrer um impeachment, em 29 de setembro, culpado por crime de responsabilidade ao usar cheques fantasmas para o pagamento de despesas pessoais.
Desdobramento da Lava Jato
Em 2025, Collor se torna o terceiro ex-presidente preso desde a redemocratização. Ele foi condenado em 2023 a 8 anos e 10 meses de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro, acusado de receber R$ 20 milhões em propinas por negócios da BR Distribuidora, subsidiária da Petrobras, entre 2010 e 2014.
O caso foi julgado no STF porque, na época da denúncia, o político era senador pelo PTB de Alagoas. Ao condenar, em 2023, considerou que o crime de organização criminosa já tinha prescrevido – ou seja, não cabia mais punição. No entanto, as acusações de corrupção passiva e lavagem de dinheiro ainda eram válidas.
A defesa de Fernando Collor apresentou os seguintes recursos:
Embargos de Declaração: A defesa alegou que a pena não correspondia ao voto médio apurado no plenário
Embargos Infringentes: A defesa argumentou que deveria prevalecer, em relação ao tamanho da pena, os votos vencidos dos ministros André Mendonça, Nunes Marques, Dias Toffoli e Gilmar Mendes, que votaram pela redução da pena para quatro anos.
Moraes rejeitou o recurso apresentado por Collor por não ter havido o número mínimo de quatro votos pela absolvição. Apenas dois ministros – Nunes Marques e Gilmar Mendes – votaram pela absolvição em relação aos crimes pelos quais ele foi condenado.
Ex-presidente Fernando Collor é preso em Maceió
CPI no Congresso e crime de responsabilidade
Em maio de 1992, o irmão caçula de Collor, Pedro Affonso Collor de Mello, revelou em reportagem à revista “Veja” que o então presidente sabia das atividades criminosas do tesoureiro PC Farias, acusado de pedir dinheiro a empresários e oferecer vantagens no governo. As denúncias levara à abertura de uma CPI no Congresso.
O relatório da CPI afirmou que Collor cometeu crime de responsabilidade ao usar cheques fantasmas para o pagamento de despesas pessoais, como uma reforma na Casa da Dinda e a compra de um carro Fiat Elba. Com isso, a Câmara aprovou o pedido de impeachment.
O caso foi ao Senado, que abriu um processo para apurar se houve crime de responsabilidade e que deveria estar concluído em até 180 dias.
Em 29 de dezembro, em uma sessão comandada pelo presidente do STF, o Senado decidiu que Fernando Collor era culpado pelo crime de responsabilidade.
Para tentar escapar da possível inelegibilidade por oito anos, o ex-presidente renunciou.
Denúncia da PGR em 1993
Depois da derrota política, Collor foi denunciado pela Procuradoria Geral da República (PGR) por corrupção passiva (receber vantagem indevida). O processo começou a tramitar no Supremo em abril de 1993.
A Procuradoria argumentou que as despesas pessoais apontadas pela Câmara foram pagas com sobras do dinheiro da campanha de 1989.
Para condená-lo por corrupção passiva, era necessário que a Procuradoria provasse que Collor recebeu dinheiro em troca de favores e serviços prestados a corruptores.
Mas o STF entendeu que isso não foi comprovado e absolveu o ex-presidente por cinco votos a três, em dezembro de 1994.
Além dos casos de corrupção, o governo do ex-presidente também ficou marcado pelo Plano Collor, que teve como uma de suas principais medidas o confisco da maior parte do dinheiro da poupança dos brasileiros, numa tentativa de conter a inflação.
O retorno à política
O ex-presidente só voltou à cena política nos anos 2000. Primeiro, numa derrota na eleição para governador de Alagoas, em 2002. E como senador eleito, também por Alagoas, em 2006.
Collor foi senador por dois mandatos, ou seja, 16 anos. No período, se envolveu no escândalo que o levou agora à condenação pelo STF.
Collor só deixou o congresso no início deste ano. Em 2022, ele tentou novamente se eleger ao governo de Alagoas — e novamente foi derrotado.

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Fonte: G1

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